5 de setembro de 2012

Em sonho




Quando vivias apenas em meus sonhos,
Via-te mais de perto. 
Tocava-lhe o rosto com os olhos 
E sentia seu cheiro com a palma de minhas mãos.

Hoje és realidade... Hoje estás aqui.
Estás aqui e não.
És agora longe e meus olhos já não o alcançam.

Vive em mim Teu sorriso.
Beija a mim tua boca.
Tocam meu corpo tuas mãos.
Mas, não estás.

Eu em mim naufragado,
rogo por ter-te em sonho...
Apenas ali, para tocar-te com os olhos
e sentir teu cheiro com a palma de minhas mãos.

JEFFERSON AZEVEDO

11 de março de 2012

LEMBRANÇAS




Solitário,
Ouço a muda madrugada fria
Que aquece meu coração
Com esquecidas lembranças suas.

O ANJO



Tu dormes sereno
Parece-me um anjo.
Cubro-lhe o corpo
Com olhar cuidadoso...
Nesse momento,
Vejo-te um filho.
Sento ao seu lado,
Beijo-te o rosto
Sorriem meus lábios
Em doce alegria.

18 de fevereiro de 2012

SÚPLICA

Lábios que falam o que gosto de ouvir...
    Rudes, agressivos e delicados.

Embebe-me com olhos de ternura,
    Interesse e descaso.

Olho-te e vejo-me.  Tu és como eu
    Nego a mim mesmo  o desejo que sinto.

Agarro-me ao sonho de tê-lo comigo,
Rogo por um beijo seu, suplico pelo seu abraço.

Dono de meus pensamentos,
Ouve o meu coração!


Texto:

3 de fevereiro de 2012

REGRESSO E PARTIDA


Longos dias sem revê-lo
Enfim o grande dia
Cabelos, olhos, boca...
Seus ombros, seu peito, seus braços...
Ah, seus braços, ninho que me aquece.

Seus olhos. Seus olhos...
Neles tristeza, angústia, decepção, desespero...

O que a distância fez contigo?
Maldita, egoísta, tirana
Distância amarga

Abraço, tristeza, revolta, Saudade.

Se partires novamente, agora para sempre
Jura que me tomas, juras que me levas,
Que me aninhas em teus braços
Que me acolhes em seu peito
Que me cedes os seus ombros
Que me beijas com tua boca
Que me olhas com teus olhos

Prometo afagar-lhe os cabelos
Ninar sua alma...
Fazer-te novamente
O homem com quem sonho

30 de janeiro de 2012

"FRAGMENTOS"

É muito bom encontrar pessoas que compartilham de mesmas idéias. Hoje, conversando com meu novo amigo - por hora virtual - Jorge de Jesus, tive a honra de admirar um de seus excelentes textos. De imediato perguntei se poderia publicá-lo aqui, no meu humilde espaço virtual. A resposta foi positiva, e aqui está, um belo trabalho, que compartilho com você, que, eventualmente caia nesta quase que anônima página.

MÁSCARAS


O que de fato o incomodava não era o excesso de máscaras dentro do guarda-roupa antigo, mas não saber quando usá-las. Apesar de suas máscaras serem quase sempre trágicas, de fortes tintas borradas nos mais puríssimos gessos, era um garoto alegre. Ao sair na rua, as pessoas não o reprovavam sequer com a cabeça, embora os olhos demonstrassem um brilho de natureza inquieta. Às vezes era quase inevitável irritar-se com o riso patético dos mendigos dispersos nas sinagogas, mas entendia com calma e doçura de rapaz que o sarcasmo viria até enquanto não se livrasse de seus rostos postiços. A necessidade de um rosto... Oh, Deus! A necessidade de um rosto que não se encontra em qualquer lugar! Vinte anos e ainda não tinha um rosto?! Todos os tipos de sua idade já tinham um rosto formado, mas ele não. Fragmentado, sutilmente picado pela máquina de moldar rostos, variava diariamente de faces que poderiam um dia ser sua. Houve porém que o sábado tinha chegado. E sábado é dia cruel. Após dele, o domingo triste logo vem. Era tempo de mudar de rosto, e no espelho olhava sua barba rala que precisava ser eliminada menos por vaidade. Assim o fez. De rosto limpo (seria o seu?), abriu o guarda-roupa. Brilhando no escuro, sinistras, as máscaras o olhavam com autonomia e soberba. Rapidamente apanhou um longo pedaço de madeira atrás da porta e com golpes nervosos, uma a uma quebrou. Exausto e suado, tornou-se a olhar no espelho, estranhou-se e nada disse. Após catar os fragmentos, jogando-os no lixo, apalpou a face. Havia tempo de aproveitar o dia. Como um estranho que desconhece o sol, ultrapassou a soleira da porta a fora; e sem que os transeuntes o olhassem fixamente, seu novo rosto o acompanhou para o resto da vida.

Jorge de Jesus - "FRAGMENTOS"

13 de janeiro de 2012

POR WESLEY MENDES

Estar solteiro não significa que você não sabe nada sobre o amor, e sim que você sabe o suficiente pra não perder tempo com qualquer pessoa!

29 de dezembro de 2011

EU SEI

Eu sei, você não sabe. No início eu tive um pouco de repulsa, agora (risos), agora parte de mim é sua.
Eu sei, você não sabe. Sei do que te aflige, do que te devora. Sei ainda do amor que guardas aí dentro. Sei também que usas uma carapaça para esconder dos hipócritas egoístas a pessoa que verdadeiramente és.
Ah! Se eu pudesse... Eu sei, mas, você não sabe. Se eu pudesse tomaria as rédeas da situação e decidiria tudo por ti! Decidiria eu que tu viverias em liberdade, que tu se desfizesses dessa couraça que te esconde, e passarias a viver uma vida única. Passarias a viver a sua vida, a vida que a vida escolheu para ti.
Eu sei, tu também sabes. As rédeas de tua vida são tuas... “pessoais e intransferíveis”... Não posso decidir por ti, então, decido ficar aqui, torcendo pelo seu renascimento, pela sua liberdade.

28 de dezembro de 2011

POESIA EM MIM

Vejo na poesia o retrato da minha alma... Através dela vejo-me a mim mesmo de outra forma; de uma forma mais sincera, mais nítida... ao mesmo tempo abstrata, triste às vezes.
Com ela e nela, sou eu meso oposto de tudo.

PROMETO ESQUECER-TE


Perdoe-me por tudo
Ó, ser diferente
Sei bem que tu amas
E sei que és temente.
Temente aos desejos
Do teu coração
Temente aos encantos
De uma nobre paixão

Perdoe-me por ter
Por ti um sentimento
Tão doce, tão puro
De ti tão sedento

Prometo-lhe um dia,
Ser do meu pensar
Mover de min’alma
Tão grande gostar

Isso, se, singelo encanto,
Meu coração entregar-se a tanto.